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Boane tem sina de lixeira há uns anos uma comissão parlamentar italiana desvendava os crimes de uma gang internacional que em Boane (Moçambique) descarregava toneladas de lixos importados - incluindo tóxicos altamente perigosos (ver xitizap # 1). dentro de momentos será a vez da alumineira Mozal. uma indústria que em Mavoco (Boane) descarregará perigosos lixos. Nomeadamente, dezenas de milhar de toneladas de SPL (Spent Pot Lining) - um dejecto classificado como perigoso (H:H) por estar contaminado com flúor e resíduos de cianeto. E, como se SPL não bastasse, outros tantos milhares de toneladas de resíduos das classes G e H:h serão igualmente descarregados em Mavoco - "não longe do Rio Movene" como refere a Mozal a propósito de um rio que também dá de beber a Maputo. este ramalhete de dejectos químicos vem assim completar o ciclo de um certo conceito de mega-industrialização. Um conceito que, à pala de custos de contexto, já incluía emissões de flúor e SO2 para a atmosfera - e descargas no Rio Matola. Tudo isto envolto numa estranha contabilidade de contrapartidas onde nem sequer se ganha com a hidro-electricidade de Moçambique. muitos dirão que este gigante industrial valeu a pena. Talvez. E contra isto não é fácil argumentar. Sobretudo quando a Mozal continua a ser vendida como um caso de perfeição industrial - e de gestão ambiental. Uma perfeição onde não há lugar a receios ambientais - tudo foi feito segundo as excelsas normas IFC (Banco Mundial). Se esta flor da indústria é, ou não, perfeita ... não sei. Isso serão juízos dos deuses. Mas que a flor já mostra pétalas envenenadas disso tenho menos dúvidas. e tudo poderá ter acontecido durante o semear da planta, em 1996. Data em que a IFC (World Bank), a Billinton (investidor) e o MICOA (Ministério Coordenação Ambiental) formularam estratégias de gestão ambiental com base num estudo de impacto com grosseiras incorrecções. como no caso do balanço de massas e manuseamento de materiais onde, estranhamente, todos os dejectos foram reduzidos a metade. Um mega-erro que demorou mais de 4 anos a corrigir. hoje, e assumindo como bons os novos números, diz-se que a Mozal excrementará anualmente as seguintes toneladas de sólidos: 5451 classe G + 4436 classe H:h + 11540 classe H:H Recorde-se que, devido à sua elevada periculosidade, a descarga de dejectos classe H:H e H:h deve ser objecto de extremos cuidados - teoricamente, pelo menos. Nesta altura, eu ainda não sei se o milagre da divisão do lixo por dois provocou ou não um encadear de problemas - e algumas outras surpresas de cálculo. Sobretudo em termos de estratégias de manuseamento e depósito final dos lixos perigosos, e de protecção de bacias hidrográficas. a única coisa que sei mesmo ... é que estou muito preocupado particularmente quando são cada vez mais fortes os indícios sugerindo que a Mozal se prepara para alienar cruciais responsabilidades na gestão ambiental da sua indústria. transferindo-as para o Estado de Moçambique como o sugerem as negociações da Mozal com o MICOA para que este ministério assuma a responsabilidade de gerir a Lixeira de Mavoco. Incluindo a contratação de um elusivo operador privado que, segundo documentos Mozal, participou nas próprias negociações - uma bizarria processual se se pensar em termos de concursos públicos, e de éticas IFC - para não falar de outras experiências em Boane. E esta alienação de responsabilidades não só parece violar o principio do poluidor responsável (e pagante), como ainda remete o mega-problema para as mãos do MICOA - um ministério admitidamente sufocado em problemas ambientais. Eu não duvido que este lavar de mãos possa ser a sorte grande para a Mozal. Mas também não duvido que, a ser assim, o flúor e cianetos do SPL poderão andar à deriva pelas águas que Maputo bebe (ver rios de flúor). josé lopes maputo - julho 2003 |


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agosto 2003 |
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em 1996, o Estudo de Impacto Ambiental da Mozal estimou os volumes de lixos na base de falsos indicadores. logo que começaram a surgir dados reais dos smelters Hillside e Mozal, constatou-se que a quantidade de lixos era o dobro do previsto. um estranho erro de divisão por 2 fonte: EIA, Mozal Phase II (IFC) |
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excertos de actas Partes Interessadas & Afectadas pela Mozal transcrições sic não ajustadas para português a exigência de construir uma lixeira foi feita pelo MICOA como resultado da necessidade para depositar o lixo industrial da Mozal como também de outras indústrias nacionais. Durante o primeiro semestre de 2002, muito tempo foi dispendido para se assegurar que os papéis e responsabilidades das 2 partes (MICOA e Mozal) fossem plenamente compreendidos, e finalmente em Junho 2002 celebrou-se um acordo no qual a Mozal concordou em financiar a nova lixeira. O MICOA lançou um EIA … e seleccionou uma área de 50 ha que servirá como lixeira regional. A construção da lixeira é uma iniciativa do MICOA mas é plenamente apoiada pela MOZAL … a nova lixeira, embora não se situe longe do Rio Movene está sendo construída num local que foi criteriosamente seleccionado pelo MICOA - pela sua conveniência. |


